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Crônicas

Quando o amor e a amizade viram uma enorme desilusão…

Essa é uma clássica história daquelas cheias de decepções, mas que de certa forma serve de alerta e incentivo.

Três anos depois de desistir drasticamente de qualquer envolvimento afetivo, ele foi tocado pelo tão temido sentimento de amar. Sim, ele não escolheu, apenas sentiu. Existem pessoas que até julgam existir um cupido completamente “dislexo”, e esse espertinho fez este jovem sonhar.

Outubro de 2015. A esperança daqueles dias “cinzas” acabarem entra pela porta da frente. Ele não sabia e nem tinha noção do quanto aquele “ser” seria capaz de mudar a sua vida, mas as coisas foram acontecendo muito mais rápido do que o esperado. Uma incrível amizade surgiu entre os dois e ele não conseguia acreditar em todos aqueles mimos, naquela preocupação, na atenção e na maneira como aquela pessoa sabia lidar diariamente com seus dramas, algo completamente novo. Especial se tratando de amizade…

Dia após dia, aquele bloqueio sentimental foi dando brecha para que o desconhecido tomasse um lugar que ele julgava estar morto. Ele estava negando – nega até hoje se for possível – mas nenhuma pessoa foi tão intensa como aquela, naquele momento.

O universo parecia contribuir com tudo.

Uma garota apareceu exatamente no mesmo período e ele teve a oportunidade de ter uma outra pessoa confidente ao seu lado – daquelas que a gente leva por toda vida, sabe? – Então aquilo que era dois, virou três. Uma amizade aparentemente interminável, sem maldade, e um amor platônico, mas mentalmente possível. Ele não sabia diferenciar, porque tinha transformado o conto de fadas em carência.

Os meses foram passando, a intensidade da intimidade entre os três foi aumentando, porém uma verdadeira confusão começou a tomar conta dos pensamentos dele. Seus ideais, suas crenças. Colocando em prova a própria fé… Quanto mais ele via que estava se afastando dos próprios princípios, conseguia sentir que estava mais perto destas duas pessoas. Até então, muito amigas, mas com ideias diferentes e com outros princípios.

Parecia que, a partir de então, somente os outros dois sabiam administrar aquilo que estavam vivendo. Ele já não tinha confidentes. Aquela pessoa que apareceu em outubro de 2015 já não estava mais ali.

Um dia a verdade veio à tona.

Aquelas duas pessoas, amigas ao seu redor, estavam apaixonadas. Uma pela outra. Detalhe: ele tinha induzido tudo aquilo, direta e indiretamente. Ele poderia prever este acontecimento, mas não imaginou que fosse se abalar tanto. Um sentimento de culpa, de “sentir-se usado”, invadiu a sua mente e nada mais parecia ter sentido. Era como se tudo, absolutamente tudo que ele viveu durante todo o período que estavam juntos tivesse sido uma grande mentira. Desabafos, planos para o futuro, tudo. Este período foi o suficiente para destruir ainda mais sua autoestima.

Ele imaginava que as pessoas se aproximavam dele porque elas se sentiam bem ao seu lado. Que poderiam confiar nele e no que oferecia. Tinha certeza que as suas piadas agradavam e que seu sorriso não incomodava. Só que essas duas pessoas mostraram que nada daquilo valia a pena. Na verdade, a sua única função foi unir os dois e, com a união consumada, ele foi escanteado.

Isso fez com que ele mergulhasse numa tristeza sem fim. Se deu conta que já tinha sido usado o suficiente e foi jogado fora, como qualquer papel descartável.

Assistindo ao resultado da estratégia do mais novo casal, o seu inconsciente despertou da indiferença. Ele teria tudo para ignorar e seguir ao lado do par, mas achou que aquele era o momento de se colocar à prova, de saber se estava realmente assumindo o papel de “descartável” naquela situação e sabotou a relação com a dupla de “amigos”. Como um organismo infectado por bactérias, instintivamente foi pegando nojo e afastando-se deles. Não os julgou pelo que fizeram, mas eles o ensinaram lições importantes para vida.

A primeira delas foi compreender que existem pessoas que são capazes de ultrapassar todos os seus limites para estar com alguém. Ele pôde se perguntar se teria coragem? Coragem de usar qualquer pessoas para alcançar seus resultados? Será que pensar nas consequências é um dos seus defeitos? Ele aprendeu que deve estar errado, mas que jamais seria suficientemente exclusivo a ponto de fazer tantas pessoas sofrerem. Que direito tem ele sobre os outros?

A segunda, para ele, é ainda mais profunda. É sobre a amizade. Ele vive com pessoas muito importantes ao seu lado, por toda vida, que ele deixaria de viver para fazê-las feliz e não pensaria duas vezes (como muitas delas). Ele doaria um rim, sangue, córneas – até mesmo pedaços do fígado para ter essas pessoas ao seu lado. Pense que quem verdadeiramente te ama, como amigo, reconhece quando a felicidade está nos seus olhos. Sabe o que te feliz. Ele entende que jamais deixaria que a felicidade se apagasse dos olhos de qualquer amigo. Só que nem todos fazem o mesmo.

A terceira, mas não menos importante, é sobre o amor. Ele percebeu que não se brinca com os sentimentos de ninguém. Não é legal usar. Não é correto iludir, mesmo que seja ao seu favor, ou para conseguir algo em troca. Mesmo que esse algo em troca sejam elogios, favores, dinheiro ou nada. Não se usa o amor para nada. Amor é amor, é como estar dopado, sem sentidos. Não se usa alguém nestas circunstâncias. É muito importante ser sincero neste momento, é importante dar espaço para a verdade, é importante olhar nos olhos e dizer o que sente, não por ignorância, mas para reduzir as expectativas da pessoas que não ama.

Ele amou. Ele foi iludido. Ele sofreu. Ele foi traído. Não amar não é traição, traição é fingir que ama.

Ele perdeu mais uma batalha para o cupido trapalhão, mas não deixou de acreditar no amor, pois sabe que o amor não tem culpa das atitudes de qualquer ser humano, principalmente dele mesmo, que se afastou da sua verdade para dar espaço ao novo e inusitado no tempo errado. Agora, ele aprendeu que existem desocupados à procura de brilho próprio. Evidenciam o corpo, buscam amizades por interesse e ocupam o ego com sexo sem compromisso por aí.

Não reduza suas exigências! Tudo o que vem fácil, vai fácil. Ele ainda não desistiu do seu conto de felicidade!

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